Desprovido de Leveza

Se sentir numa bolha, na bolha que tudo entende, sente, mente e nada define, é no mínimo estranho e perigoso, o motivo? Não existe.
Ser espectador da vida tem lá suas vantagens, tudo acontece ao seu redor e do seu lado e você olha, olha e olha... felizes os que sentem a superioridade do olho sobre a mente. Mente esta que é construída socialmente e que naturalmente se polui, poluir nada tem de demagógico e conservador, poluir no sentido de não-puro, não-seu.
O que é o Eu?
Eu sei, eu sou, eu estou, eu quero, eu tenho. Mas o quê?(que diabos são essas buscas incessantes de prazeres falsos, de conversas falsas, de amores invisíveis.) Tudo entendo das minhas perguntas, mas defini-las é pedir demais, é cobrar de mim mesma aquilo que não tem resposta, só sentido.
Quando o tão destemido Eu está à flor da pele, são as sobras que se mostram e evidenciam teus defeitos, tuas falhas, as fraquezas. Já não mais palavras, só lágrimas. Não de dor, nem de tristeza, mas de expressão.

A falta de expressividade nos momentos necessários cansa. E o cansaço vem talvez dessa busca incessante em nada, ou em tudo, e que é uma busca a qual todo ser provido de amor, sente. Engraçado dizer isso, bonito quem sabe, mas hoje estar à flor da pele é evidentemente essencial a aquilo que eu autodenomino Eu.

Aleatoriedade

A necessidade intrínseca que é o desejo inconsciente o qual compõem significativa parcela daquilo que misteriosamente chamamos de eu. Esse eu dotado de fraquezas, de dores não físicas, de amor, de prospecção à felicidade. O poder que esse eu tem de transformar e criar das coisas puras, as descartáveis. O amor descartável, a felicidade momentânea, do inteiro da pureza a metade do ilusório e poluído sentimento. E ninguém escapa vez ou outra isso lhe acomete a mente, e como a diferença é a outra metade oculta, para os desavisados não há dessemelhança entre isso e aquilo.
A solidão quando vista sem pré-conceitos e presságios torna-se aliada e fiel amiga dos que buscam sentimentos sadios e completos. Não que deva ser preservada porque é impossível viver sozinho, mas aproveitada quando ela dá o ar da graça. . E como a solidão, a paciência virtude de todas as horas, faz excelente par.


A menina da teoria das dimensões e dos estalinhos têm alma jovem, e é notável pela escolha das palavras escritas que a sede de vida dela vai além dos muros do corpo. Interessante notar também como tenho dedicado minhas reflexões confusas a ela, como se as coisas que ela escreve repercutissem mais do que algumas horas, foge do habitual. E é exatamente isso que me intriga: essa escolha involuntária minha de dar voz e vez, completos, a alguém que, concretamente, não tem vínculo algum comigo. Ah! são coisas demasiadamente maiores e mais complexas que eu não encontrarei respostas absolutas, menos ainda respostas completas, mas a ter encontrado fora dos ponteiros do relógio, me parece que ainda renderá sentidos múltiplos, se já não o é.


Da família e das coisas minhas, estou em introspecção: uma reformulação sem condenação. Reformular por vigência de necessidade. De desejo da alma, do corpo e da mente. Perdoar velhos ditados, velhas regras, meus enganos. Admitir erros, e derrotas. Ah... Principalmente as derrotas, não me esquecendo dos desamores. Das partes que eu esperei, mas que nunca estiveram a caminho. Reverter planos, agregar sonhos, nessas somas todas, uma palavra me basta: continuar, porque o tempo não parou comigo. Pude notar.


Ao mundo estranho e incompreensível que meus olhos vêem, desejo o melhor e com toda força. E que eu tenha mãos e pés e principalmente voz pra carregar sempre engasgada, a mudança. Caso não esteja engasgada, que eu tenha coragem.
Aos que vieram até aqui, desejo o mesmo que a mim mesma, porque temos o mesmo poder nas mãos, a mesma coragem. E sem sombra de dúvida a mesma capacidade humana: amar, e no sentido mais amplo e inimaginável possível e impossível.


Dedico minhas palavras a todo amor que é conferido à vida, a todas as vidas que persistem mesmo sabendo que tem um fim.

Entre Jardins e Centros

O caos lá fora, as buzinas, as luzes, do sol e da minha alma. Tudo gira, tudo definido em dicionários de bordo da mente. Conceitos, pré-conceitos, preconceitos. Falas, assuntos aleatórios, times de futebol, auto-afirmações, tudo da boca da mente pra boca do mundo, pro ar morno da cidade, harmônico desejo de realização pessoal e involuntária.
“O dia corre além de nós, o dia corre assim veloz” veloz como a vida, veloz como as adaptações humanas pela luta de sobrevivência num mundo mergulhado em desejos falsos, gripes de alma, falta de ar naquilo que é inanimado.
O cara que passava o rodo na estação de trem dizendo: serviço de burro é esse, nessa Era tecnológica e sem fronteiras. E dizia isso sem parar, e por muito tempo à voz do homem desconhecido ecoou no meu corpo, na mente, e no que sobrou da alma. Essa luta pelo dinheiro e pela fama destrói o tempo. O tempo que existia compaixão. A luta pelo melhor argumento, pela melhor ideologia e pela melhor formação destrói a mente.
E entre carros, ruas, avenidas, lixo e ar poluído, luzes desconhecidas e artificiais de mentes e almas que não pensam nem tampouco sentem.
Nos centros estudantis guerra pelos números altos, pelas melhores pesquisas, pela melhor roupa, cabelo, cigarro, bebida. Pelo melhor estágio na mais conceituada empresa, cadê você? Cadê esse povo desprovido de cor e raça? Cadê o Brasil? Em terra de brasileiro “bom” o que mais enxergo é argentino e americano falando português. “Deus, misericórdia de nossa miséria.”

Enquanto uns se divertem, outros desfalecem na infelicidade da fome, na angústia de ter sido jogado pra fora da engrenagem impenetrável.
Não sou uma mente brilhante, mas é isso que eu enxergo dentro do vidro, que é copo, o qual as pessoas depositam e bebem princípios, meias verdades e invisibilidade.

Viva ao Brasil, um país de tolos (ou todos).

Inspirada nas lembranças, nas batidas crescentes e velozes que meu coração proporciona, nas palavras, nos gestos passados, no nada, isso, exatamente isso, o nada é meu exclusivo motivo para escrever. Por um momento parei, olhei ao redor e tive uma sensação desse nada novamente, e agora ele me representa uma espécie de salvação.
Como 20 anos passam rápido, será que daqui 20 anos essas mesmas lembranças, as que me atormentam e me dão prazer, irão adormecer comigo ainda todas as noites? Quando as batidas crescentes e velozes, que surgem dessas lembranças, irão parar?
O tempo sentiu inveja de nós, e como castigo me deixou essas lembranças eternas nos segundos que estive com você. Eu dou voltas e mais voltas, falo, penso, respiro e desejo, e sempre retorno ao mesmo lugar, pelo mesmo motivo.
Suas palavras ecoam nos meus sonhos: "não sei como não me apaixonei por você", doem uma dor física, uma espécie de flagelo que me desacorda todas as noites, e dias. Atrás e sempre a procura de uma resposta, minha alma assim está, fora de mim viajando e vigiando tempos passados dentro de mim, consegue entender? Sou refém da minha própria prisão, e estou farta. Farta do silêncio gritante e angustiante que perpasso toda vez que busco, consciente, sua imagem no meu subconsciente, e lá está você, sorrindo uma mentira colorida, desejando a imperfeita beleza de ser e estar num mundo que não lhe pertence.
O tempo já não cai, não passa. A neblina não acaba, o frio desesperado anseia por borboletas, ela lá eu cá, triste fim de policarpo quaresma.
Entre números, fórmulas, genes, fenótipos, você.
Entre o inferno e minha alma, você.
Entre o céu limpo e os aviões, você.
Você, e esse você entre todas as minhas coisas, me irritam, chega a ser ingenuamente patético. O que é isso que você sequer sabe que causa em alguém, que pouco se importa e que eu espero estupidamente?
Ah! Se eu pudesse ser Hamlet, o seria. Entre a loucura fingida e o mundo real.
Se pudesse lhe apagar, apagaria, como um desenho, desses que na minha infância só apaguei porque estava feio e eu sabia que apagando conseguiria melhores. Chega de você - como se eu pudesse mandar - chega de importunar minha memória com lembranças que montam histórias falsas e sem sentido - como se eu pudesse decidir.
Em tentativas frustradas, só tento dar um basta em mim, que sou reflexo de amor incompreendido. Desejo entendimento, autocontrole, o excesso de amor-próprio. Se mata uma droga com outra droga, eventualmente.
No fim, eu lá e você cá. Cá pra nós, como seria divertido, fácil e indolor.
Se ao menos a verdade existisse entre nós, falo das verdades sem omissões. Se ao menos a incerteza não se definisse. Se ao menos você fosse menos real e mais irreal, se ao menos a dor causasse menos ódio instantâneo. Se ao menos conseguisse abrir os dois olhos juntos, se ao menos pudesse...
desaparecer com você daqui.

daqui prali

Tirei o giz de uma caixinha que na embalagem dizia: LIMITE.
No chão desenhei um círculo que me rodeava, dando espaço para sentar, deitar, rolar, pular.
Do lado de fora coloquei uma pequena placa: 'Passando desta linha, você é obrigado a sorrir'.
Era sonho...

complexo de Édipo

Às vezes você me dói, porque só eu sei o quanto eu faço por você, e essa dor me faz parar e refletir “vale à pena? / vale à dor?” (quando alguém percebe que no fundo do poço não existem peixes luminosos, fica difícil sonhar alto da próxima vez). Teus olhos são aqueles ainda – de Capitu – que encantam e enganam. Nunca fui de mentir nos meus textos, e confesso que – apesar de toda a sensação – falta algo pra que meus olhos só enxerguem ela, falta intensidade, falta uma parte que se perdeu de mim ou dela. Não sei se isso advém de relações anteriores, mas fato é que nossa dor virou ferida não-cicatrizável. E nossos pés caminham conforme a gravidade deseja (e não acho isso uma coisa boa ou pouca). Existe uma absurda diferença entre maturidade/ evolução e medo/trauma, e sinceramente fico possessa das pessoas em geral não possuírem autocrítica para tanto. Não crítico o ato, mas a cegueira da prática.
Sinto medo de a vida passar, sem páginas, sem história, sem lembranças, sem cor. Anseio o desconhecido e rotineiro sentimento, o fato de eu não enxergar algo não significa que esse algo não exista, e sentimento parte dessa premissa. Acredito naquilo que meu coração sente, e se sinto muito mais há pra sentir.
Qual a receita? Quando tudo ao redor é tedioso. Que parte de mim se perdeu?
Meu eu está sem lírico, peçam ao dramático que por deus narrem à peripécia, descrevam com os olhos singulares da vida o sabor do ar humano, o tato dos sentimentos, o olfato das palavras, o som da dor. (tudo dói, e a madrugada me ouve).

A quem possa interessar:
De que vale guardar a vida pro futuro se teu presente é agora?
De que vale crescer se a mente não muda?
A luta pelo dinheiro torna o amor de dentro um shopping de beijos e prazeres pequenos (não me refiro somente a tesão, mas também a amizade, o sorriso, o afeto) o coração perde o valor quando tudo é matéria.
Não peço demais quando peço compaixão por você mesma (o).

Para ela:
Sinto que o que me dizes aleatoriamente não condiz com a verdade do teu coração. Regras existem para serem quebradas, destinos existem porque podem ser mudados. Sinas emocionais não existem quando a felicidade dá o ar da graça, e a mente têm por finalidade equilibrar a novidade.

Por dias mais intensos, e pelo fim da (auto) censura.

o petróleo da vida escorre abundante sobre nossos orgasmos, esse querer que arrebate a seca que vem das entranhas com sede de saliva, do gosto e da pele áspera serena que toca os mesmos desejos. a vida é uma profunda compreensão de acasos que não se entendem, ninguém chega lá.

Eu estava Lá!

Sob os olhares pétreos inconformados: eu estava lá;
Sob os olhares intrigantes de repugnância: eu estava lá;
Sob o olhar do amor: eu estava lá;
Sob os olhares conservadores e pequenos: eu estava lá.
E ao mesmo tempo não estava quando lembrei de você, quando lembrei dos teus olhos que classifiquei como os meus “olhos de ressaca”, os quais encantam e enganam. E desejei ali, apesar de todos os olhares ruins e amedrontados, um abraço seu, aquele que eu recebia fazia duas semanas e que me paravam os batimentos cardíacos por 2 segundos ao dia. Desejei correr todas as estradas pra te encontrar, pegar suas angústias e carregá-las comigo.
E mesmo desejando te amar gratuitamente, os olhos, aqueles olhos tristes pela ausência de explicação continuavam a me perseguir, continuavam a me incomodar, e eu continuava lá!
Continuei e continuaria, porque fosse como fosse a minha presença fazia diferença a mim, a minha presença me presenteava.
E todos os olhares (os que eu agora afirmo dizer que foram ruins) não me fizeram sentir menos amor, não me fizeram ser menor.
Eu posso ter um piercing, uma tatuagem estranha e ser lésbica, mas isso não faz com que eu tenha menos amor, não me faz esquecer de dar Bom Dia ao cobrador do ônibus, não me faz esquecer que alguém acorda com fome e não sana a fome, não me faz esquecer que eu sou um ser humano.
E se deus existe, sob o olhar dele: eu ainda estarei aqui, pra desejar Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite a quem quer que seja, pra sentir amor quando tudo me faz sentir medo, pra dar o perdão aos olhares que julgam, que recriminam, que segregam. E, sobretudo dar amor aos que não sabem que ele existe por dentro e que emana por fora. Basta querer ver, querer saber, querer sentir, querer permitir.

São 23:50pm e a dona da minha lembrança, a que possui o único abraço que eu queria ter sentido no dia inteiro, me ligou e, eu ainda não consigo entender o porque mas arrisco escrever que foi porque eu estava aqui escrevendo e desejando... ao menos ouvir ou ler alguma palavra que fosse dela, que viesse do amor que eu vejo emanar dela. E de alguma forma ela veio até aqui e esteve comigo.

"Diz quem é maior que o amor? Vem, vamos além. Vão dizer que a vida é passageira sem notar que a nossa estrela vai cair."

aba ter

Caminhando na cidade, eu, repleta de pensamentos sobre a vida, acontecimentos, preocupações com o trabalho e logísticas necessários para o bom funcionamento do meu dia fui surpreendida com as palavras de um transeunte que caminhava, em sua vida também, na minha direção. Tudo o que eu havia organizado em minha mente se propagou naquele segundo de difusão súbita em que o outro sentiu-se no direito de dirigir a palavra a mim, palavra cujo a significação nem me faz bem falar. Estou dentro daquela sensação de uma lembrança que pode causar náuseas ou uma revolta estupidamente grande na qual o protagonista da novela se sentindo traído joga o vaso caríssimo no vilão. A conjugação diária do verbo invadir que alguns seres humanos se submetem é revoltante: Eu invado, Tu invades,... Eles invadem, e é aí que o problema se torna maior. O plural torna o viver abalado, e a impossibilidade de fluidez, de ser aquilo que hoje me der vontade de ser: cru... (aquele cru que respeita o próximo e o anterior).
Não queria bancar a ativista, só precisava mesmo organizar a confusão que um segundo na vida foi capaz de causar.

.libertinagem.

Via pelos dedos o que o breu não permitia. Pernas afastadas denunciavam a entrega da carne, que jazia quente e eriçada arrepiando como frio. Frio que predominava na espinha, pedindo matança da sede de líquidos. Embrenhavam-se em orifícios, apareciam e desapareciam deixando fonemas que não formavam palavras, mas comunicavam a proibição de final. Repetições que não cessavam e abriam eternamente possibilidades de novas posições. A tarde virou noite, que virou dia, dizendo que a gula não cedia trégua. Enfim, os membros não permitiam mais, mas com vontade de continuar dentro acendeu-se a luz. Olhos fatigados e quase satisfeitos fizeram um sorriso... que prometeu nova jornada.